Dezembro 15, 2009

Concreto armado? Oscar Niemeyer, 102 anos

Niemeyer em frente ao Museu de Arte Contemporânea de Niterói

   

 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
Em Brasília. Em Belo Horizonte. No Rio de Janeiro. Em São Paulo. Em Milão. Em Paris. Ao fim de uma reta, ao dobrar uma esquina, lá estão traços e curvas facilmente reconhecíveis. Lá está ele, Oscar Niemeyer, que completa hoje 102 anos de idade.
 
Considerado um dos pilares da arquitetura moderna, Oscar nasceu em 15 de dezembro de 1907 na cidade do Rio de Janeiro. Estudou arquitetura na Escola Nacional de Belas Artes, também no Rio, onde completou seus estudos em 1934.  Seus primeiros projetos datam de 1935. Desde então, ele trabalha incessantemente.
 
No Brasil, entre suas obras mais famosas estão os edifícios da capital federal (Congresso Nacional, Palácio do Planalto, Palácio da Alvorada, Palácio do Itamaraty, Supremo Tribunal Federal, Catedral de Brasília, entre outros), o edifício Copan e o conjunto arquitetônico do Parque do Ibirapuera em São Paulo, o complexo da Pampulha em Belo Horizonte, o Museu de Arte Contemporânea de Niterói e o Sambódromo, Marquês de Sapucaí, no Rio.
 
No exterior, algumas de suas obras mais conhecidas são a sede da Editora Mondadori em Milão, na Itália, a sede do Partido Comunista em Paris, na França, a sede da ONU em Nova York (participação), nos Estados Unidos, e a Universidade Mentouri de Constantine, na Argélia. Algumas delas foram construídas no período em que Niemeyer viveu em Paris em razão da ditadura militar brasileira. Comunista, o arquiteto mudou-se para França em 1967.
 
Apesar dos 102 anos, Oscar ainda está em atividade.  Ano que vem, por exemplo, a sede do governo mineiro mudará para a Cidade Administrativa do Estado de Minas Gerais, projetada por ele. Ainda para 2010, está prevista a inauguração do Centro Cultural Internacional Oscar Niemeyer, em Avilés, Espanha. Hoje, a cidade homenageia o brasileiro com a abertura da exposição fotográfica Oscar Niemeyer por Gorka Lejarcegi.

Quem quiser conhecer um pouco mais sobre ele, pode assistir ao documentário “Oscar Niemeyer, A vida é um sopro”, lançado em 2007, ano de seu centenário. No filme, o cantor Chico Buarque lê um trecho do texto ‘A Casa do Oscar’, publicado em Poemas, testemunhos, cartas: “Quando minha música sai boa, penso que parece música do Tom (Jobim). Música do Tom, na minha cabeça, é casa do Oscar”.   

Construção de Brasília / Palácio do Itamaraty

     

     

     

   

 

“Não é o ângulo reto que me atrai, nem a linha reta, dura, inflexível, criada pelo homem. O que me atrai é a curva livre e sensual, a curva que encontro nas montanhas do meu país. No curso sinuoso dos seus rios, nas ondas do mar, no corpo da mulher preferida. De curvas é feito todo o universo, o universo curvo de Einstein.”

 Oscar Niemeyer

 

Universidade de Constantine / Catedral de Brasília

   

  

  

 

  

Centro Cultural Internacional Oscar Niemeyer

 

 

 

 

 

G. S. Z.

gzufelato@yahoo.com.br  

Fonte: http://msn.onne.com.br/decoracao/materia/11632/102-anos

Dezembro 9, 2009

“Um monstro no coração de Paris…”?

No dia 14 de fevereiro de 1887, o jornal Le Temps publicou um manifesto assinado por “personalidades do mundo das artes e letras” protestando contra a construção de uma torre de 300 metros no Champ-de-Mars, em Paris:

“Nós, escritores, pintores, escultores, arquitetos amantes da beleza até agora intacta de Paris, protestamos com toda nossa força, toda nossa indignação, ao nome do gosto francês desconhecido, ao nome da arte e da História francesa ameaçada, contra a construção, no coração da nossa capital, da inútil e monstruosa Torre Eiffel. Que a malícia pública, frequentemente impregnada de bom senso e espírito de justiça, já batizou de Torre de Babel.”

Resposta de Gustave Eiffel:

“Eu lhes direi o meu pensamento e todas as minhas esperanças. Creio que a Torre terá sua própria beleza. Só porque somos engenheiros, vocês acham então que a beleza não faz parte de nossas preocupações nas construções? Que ao mesmo tempo que fazemos o sólido e durável, não nos esforçamos para fazer o elegante? Será que as verdadeiras condições da força não estão sempre conforme às condições secretas da harmonia? O primeiro princípio estético da arquitetura é que as linhas essenciais de um monumento sejam determinadas pela perfeita apropriação de seu destino. Ora, qual  a condição tenho, antes de mais nada, que levar em conta para a Torre? Da resistência ao vento! Então! Pretendo que as curvas das quatro arestas do monumento, tais quais o cálculo fornecido, que, partindo de um enorme e inusitado empastamento na base, irão se enfileirar até o cimo, darão uma grande impressão da força e da beleza; elas traduzirão aos olhos da ousadia da concepção dentro de seu conjunto, igualmente aos inúmeros vazios planejados dentro dos próprios elementos  da construção; mostrarão a constante preocupação de não expor inutilmente às violências de furacões, às superfícies perigosas para a estabilidade do edifício. Existe de resto, dentro do colosso, uma atração, um charme próprio, aos quais as teorias de arte ordinárias não são jamais aplicadas. Sustentaremos que é pelo seu valor artístico que as Pirâmides impressionaram tanto com imaginação dos homens? Que outra coisa, no fim das contas, que outeiros artificiais? Portanto, qual é o visitante que permanece frio diante de sua presença? Quem não volta repleto de uma irresistível admiração? Qual é a fonte desta admiração, senão a imensidade do esforço e da grandeza do resultado?

A Torre será o mais alto edifício jamais construído pelos homens — não será ela então grandiosa também a sua maneira? Por que o admirável no Egito seria hediondo e ridículo em Paris? Admito: não consigo entender.”

Gustave Eiffel

G. S. Z

gzufelato@yahoo.com.br

Obs: Este texto foi retirado de um outro site

Dezembro 2, 2009

Milagres da ciência?

Apesar da grande maioria das pessoas verem o cientista como um “milagreiro”, ou como aquele que para tudo encontrará uma solução prática e rápida às questões da vida cotidiana, pode-se afirmar que a ciência é produzida pelo homem não como um aspecto puramente técnico, ou da busca por soluções de todas as ordens – sejam elas quais forem. (KÖCHE, 2009, pp. 41-44).

Para além desse pensamento corrente, a ciência é o estudo desenvolvido e aprofundado pelo pesquisador acerca de um determinado assunto ou de um conjunto de temas que, enquanto pesquisa científica, busca através de métodos específicos de análise para cada um dos objetos abordados estabelecer previsões e rumos aos acontecimentos que cercam o homem.

Em geral, desde seu advento, os estudos científicos são empreendidos visando controlar determinados aspectos que influem na vida do homem, antevendo, assim, fatos que poderiam prejudicar toda a humanidade. Ou então, buscam encontrar caminhos e respostas que, se não são mais fáceis tão menos óbvios, talvez sejam mais conscientes e verdadeiros para os efeitos das ações do homem no ambiente, auxiliando-os em suas atitudes.

Nos dias atuais (na era da informação rápida), o que mais se dá valor, seja no âmbito individual (do cientista), ou coletivo (do estado, da nação), é que se tenha condições de criar as possibilidades necessárias para se possuir todo conhecimento possível, principalmente, acerca daquilo que envolve o homem, direta ou indiretamente.

A noção que o conhecimento popular (também chamado senso-comum) tem sobre a ciência, não passa de uma visão distorcida do que realmente isso significa ou implica (LAKATOS; MARCONI; 1991, p. 78). A ciência, no entanto, é o campo no qual o homem tem a possibilidade de produzir questionamentos que, na grande maioria das vezes, o levarão consequentemente ao conhecimento quase-exato de algum aspecto que lhe diz respeito ou que lhe gera dúvida.

De modo geral, a ciência visa possibilitar respostas plausíveis às perguntas mais fundamentais do homem, sobretudo, se logicamente pensada, planejada e produzida com os específicos métodos e técnicas de pesquisa que lhe são pertinentes. Quanto aos milagres, melhor deixá-los ao campo do religioso…

 G. S. Z.

gzufelato@yahoo.com.br

Referências Bibliográficas:

LAKATOS, Eva Maria; MARCONI, Marina Andrade. Fundamentos de metodologia científica. São Paulo: Atlas, 1991.

KÖCHE, José Carlos. Fundamentos de metodologia científica: teoria da ciência e iniciação à pesquisa. RJ: Vozes, 2009.

Novembro 11, 2009

Pesquisa Acadêmica – Uma contribuição teórica com a escolha do assunto

foto-monografia
Chegou a hora. E agora, o que eu faço?

Foi ao pensar nos vários amigos e colegas que ainda são alunos de graduação, que tive a ideia de escrever esse pequeno artigo, “Pesquisa Acadêmica – Uma contribuição teórica com a escolha do assunto”.

Busquei assim ao longo do texto, contribuir e chamar atenção à importante problemática com a qual nos deparamos ao final de nossos estudos universitários, geralmente essencial a obtenção do título final de qualquer curso de graduação: a produção do trabalho monográfico, ou o chamado TCC.

Num primeiro instante, apontei a importância e o valor que se tem e que se deve dar no momento da escolha do objeto de pesquisa a ser estudado, isto é, do assunto ou tema do trabalho a ser desenvolvido, independente da graduação que se faça. Num segundo momento, indiquei as questões relativas à problematização do assunto, através do que chamamos no campo científico de ‘hipóteses’ a serem formuladas a partir dos problemas ora colocados em questão pela pesquisa, e que darão – ou não – validade e legitimidade à mesma.

  • A importância da escolha

Ao se propor a realização de um trabalho científico, seja o iniciante ou o veterano, é importante pensar e escolher um assunto ou tema o qual tenha relação com suas próprias inclinações e preferências pessoais.

Outra maneira, seria descobrir um problema que fosse relevante à pesquisa acadêmica, e que este possua todas as possibilidades de investigação (fontes, referências bibliográficas, indicações de outros pesquisadores do assunto etc.), tanto tecnicamente quanto em função da pesquisa a ser desenvolvida.

A delimitação do objeto de pesquisa pelo pesquisador deve levar ainda em consideração, além das inclinações ou preferências pessoais deste, suas reais possibilidades ao empreendido da pesquisa; seu tempo disponível, existência de bibliotecas que possam ser consultadas e, ainda, a possibilidade de acesso a especialistas no assunto.

Tais dificuldades são inerentes ao próprio trabalho e devem ser pensadas desde o início, ou a partir do momento da escolha do assunto. (Salomon, 2004)

Todavia, escolher um tema ou objeto de pesquisa específico demanda uma capacidade de auto-análise por parte do próprio pesquisador, isto é, somente na medida em que este se conhece e sabe de suas próprias vontades e inclinações, limites ou obstáculos, é que se pode com sucesso fazer uma boa escolha. Afinal, como apontei anteriormente, a escolha do assunto está intrinsecamente ligada a subjetividade do pesquisador.

Deve-se levar também em consideração, que uma vez que o trabalho tenha sido realizado, defini-se outras questões diretamente ligadas àquilo que será a realização profissional do pesquisador, ora inserido em um determinada área de pesquisa e trabalho acadêmicos. (Salomon, 2004)

 Para que tudo saia conforme planejado, conta-se com a orientação dos professores desde a escolha do assunto.

  • Sobre a problematização do assunto escolhido

Outro aspecto significativo a ser indicado ao pesquisador, que também faz parte da reflexão inicial, é o da problematização do assunto no processo investigatório.

 Pode-se dizer que a pesquisa inicia-se pelo problema. Não pela teoria, tão menos por outras questões, mas é na problematização que reside a dúvida, a dificuldade, o quebra-cabeça a ser enfrentado pelo pesquisador.

Somos obrigados a pensar a formulação do problema, o que envolve processos intelectuais, tão logo escolhemos o assunto. Para tanto, tal formulação deve ser pensada em dois aspectos, quais sejam: ‘lógica da formulação do problema’ e as ‘técnicas de formulação e delimitação do problema’.

Formular um problema é uma operação genuinamente lógica. Todavia, o que parece ser evidente aos mais experientes, não o é para a maioria dos iniciantes da pesquisa acadêmica.

Há, portanto, neste ponto, a necessidade de ser pensar e se fazer a distinção entre a lógica tradicional (formal), e a lógica dialética. (Salomon, 2004). A primeira, de origem aristotélica, não se propõe a dar conta das especificidades do campo científico, portanto não nos interessa no momento. A segunda delas, a lógica dialética ou também chamada lógica da investigação científica – diferentemente da primeira – nos fornece o básico necessário a formulação do problema.

Evidencia-se, para tanto, que a lógica dialética é dividida em dois domínios: o analítico e o sintético. É o primeiro deles que vamos abordar.

É no analítico que se estuda as operações lógicas fundamentais, também chamado aporética (do grego aporia), e no qual residem as questões ligadas a dificuldade, ao problema.

Ocupamo-nos a partir de então no trabalho de pesquisa, da operação lógica que é a pergunta científica ou questão principal do trabalho, isto é, da formulação do problema ou do objeto científico a ser estudado. 

  • Concluindo as ideias 

Na investigação científica, o que chamamos por hipótese (aquilo que será ou não comprovado pelo estudo ao longo de seu desenvolvimento, e que conta com a ajuda de um professor-orientador), deve ser uma resposta a uma dada pergunta inicial, ou seja, à pergunta que surge da problematização do assunto escolhido para ser estudado pelo pesquisador.

Uma vez que se tenha escolhido o assunto, pautado nas observações levantadas, e o tenha problematizado com base nas indicações fornecidas, deve-se não perder mais tempo e começar logo todo o trabalho. O tempo, neste caso, é imprescindível. Bom trabalho!

 G. S. Z.

gzufelato@yahoo.com.br 

Referência bibliográfica: SALOMON, Délcio Vieira. Como fazer uma monografia. São Paulo: Martins Fontes, 2004. pp. 172 a 183.

Novembro 4, 2009

Drogas: o mal da humanidade?

5-fatos-drogas

Foi engraçado quando ao me levantar pela manhã, ouvi algumas pessoas que falavam em um programa de televisão sobre as drogas. Olhei para a TV e vi diversas pessoas, incluso a apresentadora do programa que estava ao lado de um famoso psiquiatra brasileiro, falando sobre o quanto as drogas fazem mal aos jovens e adolescentes do Brasil e do mundo, mais especificamente, a maconha.

Foi incrível. Quase chocante, logo cedo num dia ensolarado, ver e ouvir que na televisão brasileira cada vez mais se fala do consumo das drogas e, reversamente, do quanto elas é que são as vilãs das histórias e das vidas dessas pessoas. Aliás, seria incrível – melhor dizendo - se tudo não fosse tão cômico. Pensei imediatamente que, em se tratando do assunto “Drogas”, as coisas não são bem assim.

Não sou usuário, não defendo o uso das drogas, tão menos faço apologia. Mas o que me deixa indignado – e por que não dizer “chapado!” – é como se busca abordar e se falar (principalmente na televisão, um dos maiores senão o maior meio de comunicação de massa) sobre as drogas; seja a maconha, a cocaína, o crack etc.

Será que os problemas dos jovens e adolescentes, talvez do mundo, estão nas drogas? Será? Se eles vão mal ou nem isso na escola; se não passam no vestibular; se quebram coisas dentro de casa; se apenas dormem; se…

São tantos os “se…”, que talvez essas frases não acabariam jamais. “Se isso, se aquilo…” – falam alguns. “Ah, é porque são um bando de drogados, e as drogas é que deixam eles assim, é o que acaba com eles!” – dizem as donas maricotas nos programas de televisão.

“Meu filho usa maconha” – disse uma senhora. “Minha sobrinha fica tomando drogas pelas ruas, e depois briga com todo mundo, fica violenta…!” – disse outra. E assim vai se desenvolvendo a discussão, mesmo num programa de televisão que busca esclarecer e expor a situação dos usuários, beirando cada vez mais o senso popular, o comum, aquele que nada esclarece, ainda que conte com a presença de um ilustre psiquiatra, este, calado o tempo todo. Como diz a música, “assim caminha a humanidade”. E é uma pena que o mal dessa humanidade seja visto através de uma máscara, e que esta máscara seja o da cara das drogas.

Não acredito nisso, absolutamente. Dizer que o mal do mundo são as drogas, é o mesmo que afirmar que uma pessoa fora diagnosticada com câncer por ser ela estressada a vida toda. Muito falamos, pouco dizemos. Nada entendemos sobre o que falamos. Antes, deveríamos nos perguntar o que se define ali mesmo no ato da fala, quando dizemos algo sobre estresse, ou então câncer, ou drogas etc. Qual o sentido e ou significado dessas palavras?

Não pensei em escrever sobre isso por achar que aquelas mulheres do programa de televisão estavam falando bobagem. Não estavam e não estão. Entendo o ponto de vista dessas senhoras e até compreendo o mal que tais mulheres vêem nas drogas, quando se deparam com suas “crianças” totalmente amalucadas dentro de suas casas ou pelas ruas de seus bairros. O que não consigo entender é por que não pensam exatamente no “POR QUE?”, de seus filhos, parentes, enfim, pessoas de modo geral – e não só os jovens e adolescentes – fazerem uso das drogas?

É claro que é importante discutir, seja na televisão ou em qualquer outro meio de comunicação (por exemplo, um blog), cada vez mais aberta e profundamente toda a questão. Aliás, isso é o que justifica-ria a presença de um especialista no assunto em um desses programas, ou então numa discussão que fosse escrita, como num blog. É claro, também, que isso seria bastante importante, contanto que esse especialista ou estudioso do assunto falasse, ou escrevesse (e não apenas ficasse calado), mas que esclarecesse para todos que não são as drogas o problema maior desses jovens, de modo geral. Mas sim, que eles mesmos são seus maiores problemas. Podemos pensar, que muitas pessoas não sabem bem o que fazer delas mesmas quando se deparam com suas próprias fantasias, com seus desejos etc.

As drogas são apenas consideradas e chamadas vilãs. Será que o são, de fato? Os jovens colocam o que têm dentro de si, o que sentem, para fora, através destas ou daquelas. Das mais tradicionais e já conhecidas às mais “high-techs” drogas do momento, eles fazem uso de todas enquanto ninguém os impede, da maconha à internet (quando mal usada).

Penso que é fundamental a presença de homens e mulheres do meio acadêmico e científico, que fizessem e colocassem as pessoas para pensar a questão das drogas nesses programas ou outros, sem antes desconsiderarem por completo o animal humano que faz uso dessas, suas vontades e seus desejos, como já é costume fazer quando se trata de drogas.

Acredito que não por acaso estamos caminhando passo-a-passo para aquilo que Aldous Huxley, ainda no século passado, chamou de “Admirável Mundo Novo”; este o título de sua grande obra literária. Cada vez mais buscamos, por vias tortas, fugir daquilo que nos pega pelos pés na realidade, sejam nossas fantasias ou nossos desejos incompreendidos. Não agüentamos a pressão psicológica e física do dia a dia e assim preferimos, nos chamados tempos modernos, simplesmente não sentir mais nada. Tomamos algumas coisas, fumamos outras, para não sentir nada. Usamos substâncias psicoativas para sentir o não-sentir, numa atitude já, em si mesma, paradoxal. Parece que assim somos mais felizes. Parece…

Mas continuo a pensar: seriam as drogas o problema? Elas é que fazem de um ser humano, um drogado? Se assim for, poderíamos então justificar os pedófilos, através dessa mesma linha de raciocínio, por serem as crianças totalmente indefesas? (nesse caso elas é que seriam o grande problema por não saberem se defender!). Ou então, os web-tarados, pela internet não passar de um não-lugar virtual, onde ninguém pode os ver então tudo é permitido e não proibido?

Penso que não, não, não e não. Algo além me diz que há muitas outras coisas a serem consideradas nessas tantas discussões. Muitos sãos os demônios interiores do ser humano que o fazem, ainda na grande maioria das vezes, se deparar frente a um ‘eu-mesmo’ ainda não conhecido, com o qual não se sabe como reagir, ou o que fazer.

É essencial pensarmos nessa expansão desse ‘eu-mesmo’, e talvez fazer uma relação com as diversas sensações de “expansão”, talvez de “poder”, que muitas das drogas proporcionam a seus usuários. Usuários esses, que usam e optam por usar. Eis uma questão de ética pessoal, também, implicada em toda a discussão. Julgar, não é mais fácil.

G. S. Z. 

gzufelato@yahoo.com.br

Outubro 28, 2009

Eu-macaco

fotos_de_macaco
Eu, macaco?

Viemos ao mundo sabendo muito pouco. Talvez fossemos mais verdadeiros com nós mesmos se agíssemos pautados pelas questões instituais. No entanto a realidade é diversa, ou pelo menos assim nos foi passado a crer.

 Aprendemos desde muito cedo que a sociedade só se mantém coesa e mesmo existente justamente por isso, por não nos permitir agir de determinada maneira. Daí os costumes e boas maneiras sociais como freios ao instinto, ao primitivo ou incivilizado. Mas, eu perguntaria, por quê? (auto)Controle social ou algo do tipo? Dessa perspectiva apenas vejo que o mais engraçado é que não se costuma questionar o que ‘sempre foi assim’.

Desde pequeninos devemos aprender à essa (in)útil ‘cultura’ da forma menos opressiva e invasora possível, a fim de não mais tornar paradoxos à mesma os ensinamentos tão propagados há séculos pela própria sociedade, religião predominante ou até mesmo pais e avós – também formadores destas últimas.

 Coisas como não mentir, sempre dizer a verdade acima de tudo, compartilhar o pão, deixar que o outro também possa fazer e realizar determinadas coisas, e tudo mais que você já está cansado de saber… Tudo, para futuramente ensinar-mos a nossos filhos e netos, passando de geração em geração a questão de como devemos agir. De maneira genuína, devem eles também ser tal qual e igual a nós.

Penso que este comportamento é falso já em seu princípio, pois inibi a propriedade mais intrínseca e indispensável que o ser possui, o instinto. E justamente o instinto, de importância fundamental em questões de vida ou morte a tantos outros animais, que têm por primazia se manterem vivos (como nós também), não deveria ser assim descartado.

Evidentemente que não podemos nos esquecer das Leis (jurídicas) que regem e impõem, de acordo com o que pensam alguns privilegiados que as elaboram, o que nos é certo ou errado fazer. São regras implícitas na estrutura do Estado as quais temos que seguir ou enfrentar ‘juridicamente’ por desacatá-las. Pois bem, essa é uma das (des)vantagens que a vida em sociedade nos trouxe: a de ter o dever e obrigação de distinguir entre o certo e o errado, o bem e o mal, exigindo que assim respondamos por nossos atos e escolhas. 

Frente a esse complexo contexto ao qual nos vemos “aprisionados” desde pequeninos, não é de se espantar que mesmo uma das mais importantes e fundamentais características do ser humano, igualmente existente, necessária e imperativa à sobrevivência de outros animais, fique abstinente e se torne muitas vezes uma peculiaridade considerada obsoleta ou não mais importante a esses tempos.

Diante de tal barbárie, só me resta a perplexidade. E mesmo que, para urgir o contrário, fossemos necessariamente forçados a viver novamente sobre árvores, ameaçados por animais os mais ferozes possíveis em uma imensa floresta – num ato retrógrado – renunciaria com todo prazer a este nosso ‘tempo’ atual; principalmente pelas novas descobertas que proveriam desse ato. Afinal, onde está o nosso eu-macaco?

G. S. Z.

gzufelato@yahoo.com.br

Outubro 28, 2009

Resenha para download!

O ser humano – objeto de estudo e a formação das ciencias sociais humanas

Resumo: Este texto foi escrito com base num capítulo do livro “Convite à Filosofia”, de Marilena Chauí (filósofa), em que a autora aborda a questão das “Ciências”. Busquei através desta resenha explicitar como se deu o desenvolvimento e a formação das ciências sociais humanas ao longo do tempo, conceituando termos como Humanismo, Positivismo, Historicismo, e posteriormente linhas de pensamento como a Fenomenologia, Estruturalismo e Marxismo - peças fundamentais para a consolidação das ciências humanas enquanto tais.

G. S. Z.

gzufelato@yahoo.com.br

Outubro 22, 2009

Em maus lençóis…

final_feliz
“Será que sou possessivo demais…? 
Será que estou sendo traído?
Estou desconfiado… Será, será?
Será que sou ciumento demais?”

 

O que podemos dizer sobre o ciúme?

Com certeza este é um sentimento que nos faz sofrer, leva o outro também ao sofrimento, nos deixa confuso, e sem perceber aumentamos significativamente as possibilidades de um fim trágico e ainda mais doloroso em se tratando de um relacionamento amoroso monogâmico.

É preciso dialogar com a pessoa amada sobre o que sentimos tão rápido quanto as ofensas que esse sentimento pode nos fazer proferir; no mais das vezes, indevidamente.

O ciúme sempre nos coloca em “maus lençóis”, e nos deixa mal com relação ao outro. Se sou ciumento? Claro. Como todos são; incluso os que dizem não ser. O que procuro fazer? Acredito que controlar conscientemente é a melhor maneira, quando o sentimento de ciúme é inevitável. Mas o melhor mesmo é que se tenha confiança na outra pessoa.

Penso que o ciúme é um sentimento que surge (quando surge…) estando muito mais atrelado à insegurança da pessoa que sente – projetada na pessoa amada e em seu relacionamento com essa – que propriamente pela (suposta) infidelidade. Afinal, na grande maioria das vezes em que suspeitamos de alguma coisa, não tem nada a ver. Se a pessoa com quem estamos for, e quiser nos trair, essa o fará e nós jamais saberemos.

Li um dia – e ri bastante – mas também me preocupei ao ler, alguém que diz que “numa relação, sempre tem alguém traindo. Se não é você, então…”. Mas não acredito que isso seja regra geral. Há casais que vivem e convivem felizes com seus pares, felizes e satisfeitos, e que não sentem (de ambas as partes) necessidade de trair o outro.

Que todos somos capazes de trair, é fato. Talvez o que nos diferencie e até mostre um pouco do caráter de cada um é a ação da escolha: trair ou não trair. Mas que somos capazes, isso não podemos negar. Basta pensarmos quantas foram as vezes que traímos a nós mesmos, nossas próprias convicções e princípios, por um motivo ou outro qualquer. Isso é tão natural quanto óbvio, e o problema está posto aí mesmo onde se enuncia: nós nunca pensamos o natural nem o óbvio.

Todavia, o ser humano é ou não um animal? Creio que sim. E se sim, devemos primeiramente considerar que a questão cultural da monogamia, justamente por ser ‘cultural’, é social e para os indivíduos que o formam. A traição teria mais a ver com instinto, ou então com outra questão do bicho homem? Se não, então não sei…

Penso que o ciúme tem intrincada relação com um sentimento equivocado, mas que sentimos, e que envolve a posse do outro da relação. Posse? E o que isso teria a ver com a questão do instinto, que falamos há pouco? (talvez um biólogo poderia melhor nos responder).

Mas… Não somos donos do outro. Por mais que tenhamos uma relação dita monogâmica, há o abismo imenso da solidão de cada ser humano em relação ao outro – ao ser amado. Solidão essa, que sabem bem os psicoterapeutas, tentamos amenizar ou mesmo esquecer nessa fusão com o outro, através de um relacionamento amoroso. Queremos à dois, ou num con-junto, se tornar um único ser, representante absoluto do amor e dessa fusão de ambos.

O grande vilão dessa história é que esse sentimento equivocado de posse, de que nos autorizamos a ser donos do outro por o amarmos, traz, quando do surgimento do ciúme, outro sentimento, esse um dos mais angustiantes: o sentimento da perda, ou da imaginação de sua possibilidade.

A possibilidade da perda do outro faz com que muitas vezes através de atitudes desesperadas e trágicas, quando não mal educadas, busquemos reforçar o mesmo sentimento equivocado (e por que não chamá-lo de ilusório?) de posse, a fim de mostrarmos que somos realmente donos do outro, e que assim nos consideramos.

Tentamos através dessas atitudes mostrar que o outro da relação não age como gostaríamos ou como queremos. E não age mesmo! Afinal, estamos falando não do ciumento, mas sim de um ‘Outro’ da relação. Um eu subjetivo, digamos, que não o meu próprio eu – seja este quem for.

Esperamos que a outra pessoa tome as atitudes que tomaríamos frente a alguma situação específica (normalmente a situação responsável pelo surgimento do ciúme), mas não levamos em consideração que esse desejo é apenas fruto de uma projeção de nossos próprios desejos e vontades; isso, quando não é mero fruto da ilusão que construímos nos permitindo considerar como supostos donos de um outro que não nós mesmos. E mais: donos das vontades e dos desejos desse outro, inclusos.

O ciúme nos coloca em “maus lençóis…”. E até quando descrevemos o que possivelmente acontece quando do surgimento desse sentimento que só nos traz confusão e sofrimento, relatamos apenas um lado da moeda, deixando de pensar o que o outro, tão comentado por aqui – em toda essa confusão não mais que fruto da insegurança de um ciumento atordoado pelo amor romântico – pensa e sente em relação a tudo isso, isto é, em relação ao seu papel frente ao desejo de seu próprio objeto amado.

Eis aí o problema. Uma relação é feita a partir de duas pessoas (nossa, descobrimos a América!). A partir disso, o circo está posto. Como diz o caipira, é aí que a porca torce o rabo.

Todavia, podemos pensar toda essa situação sendo externalizada e posta ao outro através da chamada “desconfiança”, quando, na verdade, não há do que se desconfiar, uma vez que o ciúme seja considerado ilusório. Aliás, ilusão, idealização, são boas questões a serem trabalhadas por nós, aqui.

Mas sobre esses, e tantos outros assuntos relacionados ao amor romântico (quase sempre trágico), falamos depois. Até lá, aos mais inseguros ou ciumentos, controlem-se.

G. S. Z.

gzufelato@yahoo.com.br

Outubro 16, 2009

A marcha da Revolução de 59

“HAY QUE ENDURECER,che_mausoleu-de-che

PERO SIN PERDER LA

TERNURA JAMÁS”

(Ernesto Che Guevara) 

Há exatos cinqüenta anos, no ano de 1959, inserida num período histórico conhecido como “Guerra Fria”, iniciava-se a batalha das classes populares cubanas uma vez lideradas por revolucionários como Che Guevara, Raul Castro e Fidel Castro, contra o governo do ditador Fulgêncio Batista. Tal movimento de tomada de poder pelos revolucionários e de reestruturação social ficou conhecido como “A Revolução Cubana”.

Este período teve importância histórica desde a própria independência de Cuba de parte do domínio espanhol, com o apoio e por interesse dos Estados Unidos que por lá já investiam grandes quantidades de dinheiro, até à “revolução” propriamente dita, quando partidos guerrilheiros liderados principalmente por Fidel Castro e outros avançaram em contra partida ao governo ditatorial.

O que se sabe é que a oposição ao governo conseguiu tomar o poder com a ajuda dos camponeses, organizados pelo movimento “26 de julho”, e de guerrilhas que duraram três anos. Os revolucionários – entre eles a figura histórica de Che Guevara – começaram a implantar um amplo programa de reformas sociais logo identificadas com o socialismo: contraponto à idéia e ao ideal norte-americano capitalista. Dessa maneira, a Casa Branca, ao ser informada, reagiu impondo à ilha um embargo econômico e, por conseguinte, articulou a expulsão de Cuba da Organização dos Estados Americanos (OEA).

O isolamento e a pressão norte-americana fizeram com que Cuba e a mais potente inimiga dos EUA, a então URSS, se aproximassem, havendo assim intensa identificação com os ideais socialistas de vida, o que fez com que os soviéticos passassem a fornecer ajuda militar, tecnológica e financeira ao país.

Por sua vez, Cuba ajustou-se ao modelo soviético, fazendo com que tal aproximação com a URSS provocasse um dos momentos mais tensos da Guerra Fria. Os soviéticos instalaram mísseis na ilha e os EUA ameaçaram com um ataque nuclear, o que poderia ter sido o início de uma terceira guerra mundial, imaginam os analistas e renomados historiadores, como Eric J. Hobsbawn.

Neste período, em meio à Revolução Cubana que estava num quadro mais amplo inserida em toda a loucura da chamada Guerra Fria, ocorreu que em troca da pretensa paz mundial os Estados Unidos e URSS assinaram um acordo, no qual a URSS se comprometeria a não instalar bases de mísseis em Cuba, e os Estados Unidos a não tentar invadir novamente a ilha, como já haviam feito. A partir de então, Cuba passa a vivenciar a primeira experiência socialista da América Latina.

Em 1963, foi criado o Partido Unificado da Revolução Socialista que, em 1965, fora substituído pelo Partido Comunista Cubano.

O período da Revolução Cubana é hoje conhecido como um importante e tenso período histórico do país, o qual fez também por destacar importantes líderes antes conhecidos pelas muitas guerrilhas sangrentas, mas posteriormente símbolos mundialmente conhecidos em busca da paz comum como o é a figura histórica de Ernesto Che Guevara: símbolo maior de todo e qualquer movimento ou sujeito revolucionário.

Contudo, podemos ainda pensar a Revolução Cubana sendo apenas o início, em termos de uma construção simbólica revolucionária, e enquanto movimento organizado, do que viria e talvez virá a ser do futuro do mundo para os jovens de hoje, revolucionários ou não.

G. S. Z.

gzufelato@yahoo.com.br